Crise de "Práxis"
Sabia que os alemães costumam sintetizar conceitos complexos em uma só palavra? Pois é, isso economiza um tempão. Ao invés de mandar textão, os caras só mandam a braba numa palavra que o receptor da mensagem já compreende.
Por isso resolvi usar a palavra "Práxis" no título. Palavra chata, né? Ela vem do latim, mas não vou explicar sua origem e seu significado complexo (pra isso tem o Google).
Aqui basta entender que ela se refere à relação que deve existir entre prática e teoria.
Ih... Agora que expliquei ficou mais chato, né?
É só pensar assim: bem na nossa vez, comprar uma casa só se for parcelada em 3 encarnações. E foi do nada, pois fomos criados pensando que a gente podia ser, ter e fazer TUDO. A realidade não tá batendo com a teoria, né?
Ignore o papo de millennial aqui e foca no assunto "práxis". Passaram anos nos ensinando que nós éramos o futuro do mundo, que nós éramos a geração abençoada, que o mundo era um lugar feliz, acolhedor e evoluído, que nós somos ecologicamente corretos, que o amor venceu...
Kakakakakakaka...
Existe uma galere que diz que nós não conseguimos compreender o que tá rolando nos dias de hoje por que nós estamos inseridos no mundo de hoje. Ou seja, só vamos conseguir entender essa bagaça com o distanciamento histórico.
Precisa passar os anos para que a gente consiga entender o que aconteceu pro n@zismo ser trend de novo (eu não entendo como isso pode ser trend em qualquer momento histórico).
Mas enfim, a gente cairia em debates sem fim sobre moral e ética, que são conceitos pessoais e subjetivos (não é moralmente correto encostar em alguém no Japão para cumprimentar, enquanto que no Brasil é até ofensa não encostar).
O que quero dizer é que eu preciso compreender que, apesar da minha personalidade e formação política ser oposta à realidade que vivo, isso não significa que eu preciso sacrificar minha vida em nome de uma causa para mudar a minha realidade devido somente à uma pergunta: o ser humano vale à pena?
Moro em Mato Grosso do Sul. Tenho conhecidos que receberam ameaça de morte só por demonstrar interesse na causa indígena. Se você quer ser um pensador e ativista de esquerda aqui é bom que você tenha recursos financeiros próprios (o que eu não tenho).
Então sou classe trabalhadora e tenho formação política e acadêmica. O que resulta nisso: uma existência dolorosa.
Minha mente sempre estará vivendo na teoria que deveria ser a realidade enquanto eu vivo em uma realidade que deveria ser só uma história de terror.
Bom, deixando os mimimis de lado, o que me resta são os fatos: a teoria está em um lugar e a realidade está em outro. E, como não sou remunerada para pensar, não posso me encastelar do mundo e ignorar essa lacuna que existe entre o que deveríamos ser e o que realmente somos.
Me resta abaixar a cabeça e trabalhar para um neoliberal qualquer que me chama de colaboradora ao invés de funcionária, que pensa que salário é favor e que as dificuldades da vida cotidiana são resultado de um "mindset desalinhado".
Comentários
Postar um comentário