Uma Crise nos Bancos da Universidade

Uma Crise nos Bancos da Universidade. Singelamente e piedosamente (para esta autora aqui) publicado em Arquivos Críticos.

Uma Crise nos Bancos da Universidade

A vertigem foi o de menos. Na verdade, ela é um aviso.

– Prepare sua mente, estou chegando.

Mas não daquelas vertigens de grávida ou de navio. Foi uma vertigem de expurgo.

Logo a garganta cansada do nó da burocracia e os olhos queimando o que não podia ser dito se levantaram. Sim, se levantaram. O resto fazia parte de outra realidade. Meus pés poderiam dar saudações, não fossem os olhos e a garganta.

Os olhos me mostraram toda a não realidade pelas minhas mãos, braços, pernas e tronco. A escuridão da vertigem de expurgo fez lágrimas desamparadas caírem rasgando. Rasgando. Por que não rasgar no expurgo? O que não rasgar no expurgo?

Mas ali só havia bancos. E eles me diziam que me compreendiam.

Cadê as pessoas nos bancos para me inserir na realidade grotesca, tosca e monótona? Um eco.

– Inayá... Inayá...

O eco traz sua cavalaria. Esperança de branco, controle de vermelho, proteção de verde e alívio de azul.

A cavalaria lutou com a escuridão da vertigem de expurgo. Dominaram a garganta.

– Não consigo me mexer – disse.

– Quer que eu te leve lá pra fora? O que aconteceu? – disse a voz do eco.

– Fui apedrejada pela montanha do coração de alguém.

O eco me levou até outro banco compreensivo. O som insistente da natureza perfurou meus ouvidos. Feito.

Autista, pelo menos eu autista, penso por imagens e sons. Não por palavras. Logo, os passarinhos e o vento me disseram que a escuridão da vertigem de expurgo estava indo. E os olhos que queimavam o que não podia ser dito se abriram em estranheza.

Elda Cunha era o nome do eco. A cavalaria bem que tentou, mas só os pés lhe agradeceram. A única parte do corpo não endurecida pela escuridão da vertigem de expurgo.

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